VERSÍCULOS DA BIBLIA

FÉ E POLÍTICA


Prefeito de Porto Alegre fala sobre fé e política em entrevista exclusiva

“Jesus sempre procurou tratar os diferentes com amor e compaixão”, diz José Fortunati

Prefeito de Porto Alegre fala sobre fé e política

José Alberto Reus Fortunati, prefeito de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, é evangélico há oito anos. Ele e a mulher, Regina, tornaram-se membros da Igreja Batista Filadélfia após um convite de Ivete, mulher do senador Pedro Simon para visitar a denominação.

Apesar de já ter sido criticado ao afirmar que “a cidade está sob o comando de Jesus”, Fortunati é constantemente elogiado por saber separar igreja e Estado. Ele afirma ser consciente de que não é o Prefeito dos evangélicos, mas de uma capital com mais de 1,4 milhão de habitantes.

Curiosamente Fortunati é prefeito justamente da capital com o menor número de evangélicos do país, segundo pesquisa divulgada pelo Datafolha e o maior índice de crescimento de religiões espiritas e de raiz africana.

Em março de 2010, com a renúncia de José Fogaça para concorrer ao governo do estado, José Fortunati assume a Prefeitura de Porto Alegre. Ao concorrer à reeleição enfrentou a deputada federal Manuela D’Ávila, uma das principais ativistas do Movimento LGBT na Câmara dos Deputados.

Manuela tentou atrair o eleitorado evangélico fechando apoio com o Partido Social Cristão (PSC). Apesar de ter como cabo eleitoral o vice-presidente do partido, Pastor Everaldo, candidato ao Palácio do Planalto, Manuela não conseguiu convencer os eleitores.

Fortunati, por sua vez, atraiu o apoio de diversos líderes evangélicos, entre eles Silas Malafaia, presidente da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, e Marco Feliciano, presidente da Igreja Assembleia de Deus Catedral do Avivamento.

Feliciano, que é deputado federal em São Paulo pelo PSC, criticou na época o partido por dar apoio a uma ativista do movimento homossexual. O parlamentar chegou a disponibilizar sua assessoria pessoal no Rio Grande do Sul para ajudar na eleição de Fortunati.

Fortunati falou sobre fé e política com exclusividade ao Gospel Prime e revelou suas experiências na administração pública e na fé cristã. Leia a seguir:

Gospel Prime – Como foi a sua primeira experiência com uma igreja evangélica?

José Fortunati – A minha primeira experiência com uma igreja evangélica surgiu após uma conversa com o Thiago Simon e esposa Miriam, e com a Ivete, esposa do senador Pedro Simon. Eles convidaram a mim e a minha esposa Regina a visitarmos uma Igreja Evangélica no ano de 2006 e participarmos de um culto. Fomos à Igreja Batista Filadélfia e assistimos a uma valiosa pregação do Pastor Samuel Espíndola que cativou o nosso coração. Lá nos convertemos e fomos batizados pelo Pastor Filipe Espíndola. Indiscutivelmente foi e continua sendo uma experiência maravilhosa.

Em 2011, às vésperas de disputar a reeleição, o senhor disse durante a Marcha para Jesus de Porto Alegre que a cidade estava sob controle de Jesus, sabemos que chegou a ser muito criticado por isso. Como o senhor reagiu às críticas?

Reagi com naturalidade. Tenho a convicção de que expressei o meu sentimento espiritual de que “a cidade está sob o comando de Jesus” e administrado pelo seu servo José Fortunati. Isto não contraria os preceitos constitucionais da defesa do Estado Laico. Apenas demonstra a convicção espiritual do Prefeito da cidade de Porto Alegre.

Apesar deste episódio a sua atuação na administração de Porto Alegre tem sido bastante elogiada pelo fato do senhor saber separar religião e Estado. Como conseguiu conquistar essa postura?

Separar a religião do Estado é fundamental para que possamos governar para todos. Eu tenho a consciência de que sou o Prefeito de uma cidade com 1 milhão e 409 mil habitantes. Milhares cristãos, outros que professam outros credos, vários ateus, entre outros.

Nunca deixei de me assumir como cristão. Em todos os meus pronunciamentos ou entrevistas termino pedindo que Deus abençoe a todos. Mas, a gestão da cidade, que tem “o comando espiritual de Jesus”, deve ser feita respeitando-se a todos. Tenho a convicção de que este respeito abre as portas para que o meu exemplo aproxime outras pessoas de Jesus e não o contrário. Tentar “impingir a força” uma compreensão sobre as nossas convicções espirituais termina simplesmente fomentando a discórdia e a guerra religiosa que tem separado povos e causado sofrimentos históricos para a humanidade.

Tem muita gente pragmática que já chega na política tentando aplicar seus dogmas religiosos?

Infelizmente, ainda existem aqueles que confundem a política com a pregação permanente de dogmas religiosos. Mas, este número é pequeno diante do grande contingente de homens/mulheres que atuam na política e que creem na Palavra e utilizam à ética, a boa conduta e a defesa das boas políticas públicas para disseminar “a palavra”.

É interessante observar que os evangélicos estão se inteirando mais dos assuntos relacionados à política. Como o senhor vê esse avanço dos evangélicos?

Não podemos separar o homem da política. Quando reivindicamos a melhoria da saúde pública, estamos fazendo política. Quando nos organizamos na comunidade para conquistas uma creche, estamos fazendo política. Quando criticamos um governante não concordando com as suas ações, estamos fazendo política. Ou seja, o nosso cotidiano é permeado por atos políticos, que obrigatoriamente não fazem parte da política partidária. Percebo com alegria um envolvimento maior dos evangélicos com a atividade política. O grande desafio é não colocarmos as ações políticas acima das questões espirituais não utilizando a palavra para “cabrestear” votos. A reflexão política entre os evangélicos se torna absolutamente necessária para que os irmãos tenham uma consciência cada vez maior da importância do voto e da sua participação nos destinos da sua cidade, estado e país.

O que o senhor pode dizer do slogan “evangélico vota em evangélico”?

Não concordo com ele. Como homem público desejo ter o voto dos meus irmãos evangélicos. Mas, isto deve ser conquistado com propostas concretas, com uma postura digna e com uma vivência que permita mostrar aos irmãos que o candidato é o mais preparado para exercer a função pública. Não basta ser evangélico para ser um bom político. E também pelo fato de alguém não ser evangélico não pode significar que ele não possa ser um bom político.

Durante sua campanha para reeleição a Prefeitura de Porto Alegre o senhor recebeu apoio de muitos líderes evangélicos. Como o senhor vê a confiança destes líderes na sua atuação política?

Fiquei muito contente em receber o apoio de muitos líderes evangélicos para a minha candidatura à reeleição à Prefeitura de Porto Alegre. Isto demonstrou que a minha gestão, desenvolvida até então na coordenação da cidade, estava no caminho correto das políticas sociais e de uma postura ética adequada. E de que esta postura reforçava a importância de se ter um prefeito temente a Deus, dando conforto aos irmãos para sacramentarem o voto e o apoio para a continuidade dos trabalhos desenvolvidos.

Qual o principal desafio que um político evangélico pode enfrentar hoje no Brasil?

A administração das cidades, de um estado ou do país, tem se tornado cada vez mais complexa. Crescem as necessidades materiais da população, especialmente das pessoas de menor poder aquisitivo. Tem crescido em muito a ação daqueles que se contrapõem as boas práticas de gestão e o uso correto dos recursos públicos. Por isso, o político evangélico tem que ter a consciência de que ele irá enfrentar não somente as dificuldades financeiras normais, as demandas ilimitadas da população, mas, especialmente, as forças que de todas as formas irão tentar fazer com que o trabalho saia do caminho da ética e da preocupação com os mais necessitados. O político evangélico tem que compreender que sem basear as suas decisões técnicas e políticas na orientação que a palavra nos dá ele dificilmente terá sucesso na sua caminhada.

O seu testemunho de vida como cristão tem sido modelo para muitos. O que significa isso para o senhor?

Fico feliz em saber que o meu testemunho tem servido de modelo para muitos. Desejo prosseguir nesta caminhada com muita humildade para que tantos outros compreendam que é possível fazer da política um ministério de transformação social e espiritual. Para tanto tem sido decisivo as orações que os irmãos realizam nas igrejas, os círculos de orações, no Grupo de Orações que se reúne às terças-feiras no meu gabinete e na reflexão da palavra que realizo com os pastores do CIMEPA todas as quintas-feiras.

A que o senhor atribui o crescimento do número de evangélicos no Brasil?

Tenho a convicção de que estamos vivendo num momento muito crítico da nossa sociedade: estamos ficando mais egoístas, o consumismo tem tomado conta das famílias, as drogas tem infernizado milhares de lares, as violências tem abastecido o arsenal de muitos, entre tantas outras coisas. Para se contrapor a este tipo de vivência que desumaniza, mais e mais pessoas tem buscado o amparo espiritual na “palavra” e lá tem encontrado o conforto necessário para melhor conviver nesta sociedade complexa. A cada dia que passa percebo que mais pessoas, de todas as faixas etárias e de todas classe sociais, buscam o apoio “da palavra” para organizar a sua vida e da sua família.

Qual a sua posição em relação aos projetos considerados críticos para a igreja evangélica brasileira como aborto, casamento gay e descriminalização das drogas?

Sem desconhecer de que são assuntos complexos entendo que muitas vezes a igreja evangélica tem tratado com forte preconceito estes temas sem abordá-los com profundidade. Em muitas passagens bíblicas, Jesus Cristo aproximou-se daqueles que eram considerados pecadores e os abençoou. Jesus sempre procurou tratar os diferentes com amor e compaixão. Por isso, acredito que tratar estes temas com uma reflexão adequada, sem a “demonização” que alguns fazer, ajuda melhor os irmãos a entender a questão e a tratar deles com uma maturidade maior. Isto não significa concordar com as questões colocadas, apenas aponta para a necessidade de não se fazer destes projetos motivo de “guerras religiosas” que nada contribuem, segundo a minha compreensão, para uma avaliação melhor dos temas.

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